O que aconteceu?
Ao completar 60 anos, o cantor Netinho fez mais do que agradecer as mensagens dos fãs: anunciou um plano. Em tratamento contra a recidiva de um linfoma raro, descoberto em maio durante exames para investigar um problema renal, ele contou que já organiza a volta aos palcos com uma turnê provisoriamente batizada de “1966”, em referência ao ano em que nasceu. Nas palavras dele: “Assim que essa luta insana terminar, produzirei meu novo show e cairei na estrada para cumprir meu destino de emocionar e divertir as pessoas.”
Netinho concluiu a 4ª de 16 sessões de quimioterapia sem efeitos colaterais até aqui, segundo ele próprio — e daqui da Travessia desejamos que as próximas doze sejam igualmente serenas, e que a estrada da turnê 1966 chegue logo.
Planejar o futuro durante o tratamento faz bem?
Faz — e não é só poesia. Quem acompanha pacientes oncológicos vê isso todos os dias: ter um projeto esperando do outro lado organiza o presente. O tratamento deixa de ser um túnel sem saída e vira uma travessia com margem de chegada. A data do show, a viagem adiada, o casamento do filho, a volta ao trabalho — cada um tem a sua “turnê 1966”.
E aqui entra o que quase ninguém conecta: o plano do amanhã precisa que o corpo chegue inteiro lá — e a boca faz parte desse corpo. Para um cantor, isso é literal: cantar exige voz, saliva, articulação, boca sem dor. Mas vale para todo mundo: falar, comer com prazer, sorrir para a plateia da própria vida.
O que a quimioterapia tem a ver com a boca — em qualquer câncer?
A quimioterapia circula pelo corpo inteiro, e por isso afeta a boca em qualquer tipo de câncer — linfoma, mama, próstata, intestino, pulmão. Segundo o National Cancer Institute, cerca de 40% das pessoas em quimioterapia desenvolvem alguma complicação na boca:
- Feridas na boca (mucosite) — que doem para falar e comer;
- Boca seca — menos saliva para proteger dentes e garganta (e para quem canta, saliva é instrumento de trabalho);
- Alteração do gosto — a comida perde a graça exatamente quando comer bem é mais importante;
- Infecções — nos períodos de imunidade baixa, uma infecção na boca pode causar febre e adiar a próxima sessão.
Num protocolo longo, como o de 16 sessões que o Netinho atravessa, o cuidado com a boca não é detalhe: é o que ajuda a manter o calendário do tratamento em dia — e o calendário do tratamento em dia é o que aproxima a data do show.
Como proteger o plano do amanhã, na prática?
O cuidado que sustenta o projeto de futuro é feito de gestos pequenos e constantes: higiene suave diária, um kit de boca preparado em casa, hidratação frequente, atenção redobrada nos períodos de imunidade baixa — e acompanhamento odontológico especializado durante todo o tratamento, em diálogo com a equipe médica. Na Travessia, esse acompanhamento é o Mãos Dadas: atravessar o tratamento de mãos dadas com quem cuida da sua boca, para que o seu amanhã encontre você pronto.
Perguntas rápidas
Quimioterapia de linfoma afeta a boca mesmo sem o câncer ser “na boca”? Sim. O medicamento circula pelo corpo inteiro e atinge as células de renovação rápida — como as que forram a boca. Além disso, no linfoma a imunidade fica especialmente baixa em fases do ciclo, o que aumenta o cuidado necessário com infecções na boca.
Dá para fazer planos mesmo sem saber como o corpo vai responder ao tratamento? Os planos podem — e costumam — ter datas flexíveis, como o próprio Netinho fez: a turnê virá “assim que essa luta terminar”. O valor do plano não está na data exata, e sim na direção. Com a equipe médica cuidando do protocolo e a boca protegida, o caminho até lá fica mais suave.
Cantar ou falar muito durante o tratamento faz mal para a boca? Não — desde que a boca esteja cuidada. O que atrapalha a voz e a fala são as complicações evitáveis: feridas, boca seca, infecções. Com prevenção e acompanhamento, muitos pacientes seguem trabalhando com a voz durante o tratamento, respeitando os dias de maior sensibilidade.
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Entenda como a boca atravessa um protocolo longo de quimioterapia e por que a fase de imunidade baixa pede atenção redobrada.
Revisado pela Dra. Jossânia Marcondes, cirurgiã-dentista (CRO-PR 16853), com atuação em odontologia oncológica.
Fontes: Vagalume — “Em tratamento contra câncer grave, Netinho anuncia plano de volta aos palcos” (15/07/2026); Correio 24 Horas — “Com câncer raro, cantor Netinho celebra 60 anos” (13/07/2026); NCI PDQ — Oral Complications of Cancer Therapies; MASCC/ISOO Clinical Practice Guidelines (Elad et al., Cancer, 2020).