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Durante o tratamento

Netinho e a 'fase mais sensível' da quimioterapia: por que a boca merece atenção redobrada quando a imunidade cai

Publicado em Atualizado em Leitura aproximada: 5 minutos

Resposta direta

Durante a quimioterapia há dias em que a imunidade chega ao ponto mais baixo, e a boca vira uma porta de entrada importante para infecções — sobretudo se já houver feridas. Higiene delicada, hidratação e atenção a sinais como febre ajudam a atravessar essa fase com mais segurança.

O que Netinho contou

Em atualizações recentes nas redes sociais, o cantor Netinho, em tratamento de um linfoma (câncer do sistema linfático), contou aos fãs que está atravessando a fase mais sensível da quimioterapia. Ele relatou ter reduzido caminhadas, pausado a musculação e os exercícios de voz, aumentado o descanso e se isolado em casa, sem receber visitas, para reduzir o risco de infecções. Também tranquilizou o público ao dizer que, após a quarta sessão, não sentiu dores nem efeitos colaterais significativos.

Desejamos a ele uma boa travessia. E, como o próprio Netinho abriu essa conversa sobre os cuidados de um momento delicado, ela nos ajuda a explicar algo que vale para muitas pessoas em quimioterapia — sem, é claro, comentar detalhes da saúde dele, que só a equipe que o acompanha conhece.

Por que existe uma “fase mais sensível”?

A quimioterapia age no corpo inteiro, atacando células de multiplicação rápida — e entre elas estão as células de defesa produzidas na medula óssea. Por isso, alguns dias depois de cada ciclo, a imunidade costuma cair ao seu ponto mais baixo (o que os médicos chamam de nadir). É a janela em que o organismo fica mais exposto a infecções, e por isso muitas pessoas, como Netinho descreveu, adotam mais isolamento e cuidados redobrados nesse período.

Isso vale para qualquer tipo de câncer tratado com quimioterapia — não apenas o linfoma. A quimioterapia afeta a boca e a imunidade independentemente de onde o tumor está, porque circula pelo corpo todo.

O que a queda de imunidade tem a ver com a boca?

Mais do que se imagina. A boca é uma das principais portas de entrada de germes no corpo, e na fase de imunidade baixa esse detalhe ganha peso. Alguns pontos importantes:

  • Feridas na boca (mucosite) viram porta aberta. A quimioterapia pode causar feridas na boca e, quando a imunidade está baixa, essas lesões podem servir de entrada para bactérias e fungos — às vezes com risco de a infecção se espalhar.
  • Infecções oportunistas aparecem mais. Com a defesa reduzida, é mais comum surgir candidose (o “sapinho”) e outras infecções que uma boca saudável costuma controlar sozinha.
  • A boca pode ser o ponto de partida de uma febre. Um foco de infecção na boca pode desencadear febre num momento em que o corpo tem pouca reserva para reagir — por isso a atenção a esses sinais é tão importante.

O que ajuda a proteger a boca nessa fase

  • Higiene delicada, sem falhar. Escova extramacia e limpeza suave mantêm a boca com menos germes. Veja o jeito seguro de higienizar quando a boca dói.
  • Boca úmida. Hidratar-se e usar bochechos suaves (água com bicarbonato, sem álcool) protege a mucosa.
  • Olho nos sinais de alerta. Febre, feridas que pioram, placas esbranquiçadas ou dor crescente merecem contato com a equipe sem demora — nessa fase, agir cedo é o que evita complicações maiores.
  • A boca preparada antes do tratamento. Resolver focos dentários antes de começar a quimioterapia evita que um problema já existente se transforme em emergência justamente quando a imunidade está no fundo do poço. É o que fazemos na Preparação Pré-Tratamento (PPT).

Cuidar da boca é cuidar da travessia inteira

Histórias públicas como a de Netinho ajudam a lembrar que o câncer se atravessa nos detalhes do dia a dia — e a boca é um desses detalhes que, bem cuidado, protege o tratamento como um todo. Acompanhar a boca ao longo de cada ciclo, especialmente nas fases de imunidade baixa, é o coração do nosso programa Mãos Dadas. E, para o panorama completo, veja o guia da quimioterapia e a boca.


Revisado pela Dra. Jossânia, cirurgiã-dentista (CRO-PR), com atuação em odontologia oncológica. Este texto tem caráter informativo e não comenta a situação clínica individual de nenhuma pessoa citada.

Fontes: National Cancer Institute — PDQ Oral Complications of Chemotherapy; noticiário sobre o tratamento de Netinho (CNN Brasil e Diário do Grande ABC, julho de 2026).

Perguntas rápidas

O que é o nadir da quimioterapia? É o período, geralmente entre 7 e 14 dias após a sessão, em que as defesas do sangue chegam ao ponto mais baixo — a fase de maior cuidado com infecções.

Febre nessa fase é emergência? Sim. Febre com imunidade baixa merece contato imediato com a equipe oncológica, mesmo que pareça um mal-estar comum.

Como proteger a boca nesse período? Higiene delicada com escova extramacia, enxágue de sal com bicarbonato, hidratação — e nenhum procedimento odontológico invasivo sem liberação da equipe.

O cuidado desta fase

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