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Feridas na boca durante a quimioterapia: o que fazer (mucosite)

Resposta direta

As feridas na boca da quimioterapia (mucosite) surgem porque o tratamento atinge também as células saudáveis da mucosa, que se renovam rápido. Aparecem entre 5 e 10 dias após a sessão e cicatrizam em 2 a 3 semanas. Laserterapia, higiene adaptada e controle da dor previnem e aliviam, com acompanhamento especializado.

Por Dra. Jossânia Marcondes, cirurgiã-dentista bucomaxilofacial · odontologia hospitalar (Albert Einstein) · CRO-PR 16853
Publicado em 08/07/2026 · Atualizado em 19/07/2026

Por que a quimioterapia causa feridas na boca?

A mucosa que reveste a boca se renova o tempo todo — e a quimioterapia, que age sobre células que se multiplicam rápido, acaba atingindo também essas células saudáveis. O resultado pode ser a mucosite: ardência, vermelhidão e feridas que dificultam comer, falar e engolir.

Ela costuma aparecer entre 5 e 10 dias após a sessão e varia de um desconforto leve a feridas dolorosas. Não é falta de higiene, não é “sapinho” (embora infecções por fungos possam se somar) e, principalmente: não é algo que você precise apenas aguentar.

Vale uma observação que muda o entendimento: a mucosite pode acontecer na quimioterapia de qualquer tipo de câncer, porque o medicamento circula pelo corpo inteiro e alcança a boca independentemente de onde está o tumor. Ela também aparece na radioterapia quando o campo inclui a região da boca — mas, nesse caso, com um comportamento um pouco diferente, que explicamos no guia da quimioterapia e a boca.

O que alivia em casa, hoje

O tratamento que muda o jogo: laser de baixa potência

A fotobiomodulação (laserterapia de baixa potência) é hoje o recurso com melhor evidência científica para prevenir e tratar a mucosite. As diretrizes internacionais MASCC/ISOO recomendam seu uso, com nível máximo de evidência em situações como transplante de medula óssea e radioquimioterapia da região da cabeça e pescoço (Zadik et al., 2019).

É indolor, rápida (minutos por sessão) e, quando usada de forma preventiva — antes e durante o tratamento —, reduz a chance de as feridas aparecerem e a gravidade quando aparecem. Na Travessia, ela faz parte do acompanhamento Mãos Dadas, nosso cuidado durante o tratamento.

Dá para prevenir a mucosite antes de começar?

Em boa parte, sim — e começa antes da primeira sessão. Uma boca que entra no tratamento com os focos de infecção tratados, a gengiva saudável e a higiene ajustada tende a desenvolver mucosite mais leve. Esse preparo prévio é o que chamamos de Preparação Pré-Tratamento (PPT), e vale para praticamente todo mundo que vai iniciar um tratamento oncológico — como detalhamos no guia de preparar a boca antes do tratamento.

Quando procurar ajuda — sem esperar a próxima consulta

Procure um dentista especializado em oncologia (ou avise sua equipe) se:

Dor na boca durante o câncer não é detalhe: quem não come, enfraquece — e o tratamento inteiro sente. Foi exatamente essa dor que fundou a nossa clínica.

Perguntas rápidas

Mucosite tem grau? Sim, de 1 (vermelhidão e ardência) a 4 (feridas extensas que impedem a alimentação). Quanto mais cedo o cuidado começa, mais baixo o grau tende a ficar.

Posso usar enxaguante comum? Evite os com álcool. Prefira soluções indicadas pela sua equipe — em alguns casos específicos, o dentista prescreve enxaguantes terapêuticos.

A mucosite vai embora? Sim — as feridas da quimioterapia costumam cicatrizar em até 2 a 3 semanas, e a cada novo ciclo a boca volta a ter uma fase mais sensível. Com prevenção e laser, esse caminho é mais curto e menos dolorido.

Mucosite é a mesma coisa que sapinho? Não. A mucosite é a inflamação da mucosa causada pelo tratamento; o “sapinho” (candidose) é uma infecção por fungo que pode surgir junto, aproveitando a boca fragilizada. Às vezes as duas aparecem ao mesmo tempo — por isso a avaliação do dentista importa.


Revisado pela Dra. Jossânia, cirurgiã-dentista (CRO-PR), com atuação em odontologia oncológica.

Fontes: MASCC/ISOO — Diretrizes de Mucosite (Elad et al., Cancer, 2020) e de Fotobiomodulação (Zadik et al., 2019); National Cancer Institute — PDQ Oral Complications; INCA.