O que aconteceu
Nesta semana, o narrador Luís Roberto, da TV Globo, anunciou o fim do tratamento de um câncer de cabeça e pescoço — foram 33 sessões de radioterapia e 7 de quimioterapia, segundo ele contou em vídeo nas redes sociais. Mas o narrador foi além da própria notícia: aproveitou o Julho Verde, mês de conscientização sobre o câncer de cabeça e pescoço, para listar os sinais de alerta que salvam vidas.
Nas palavras dele: “Feridas na boca que não cicatrizam, caroço no pescoço, que foi o meu caso, inclusive, rouquidão persistente, dor de garganta que não melhora ou dificuldade para engolir são sinais de alerta e devem ser investigados.” E fechou com uma frase que resume tudo: “Informação salva vidas.”
Daqui da Travessia, desejamos ao Luís Roberto uma recuperação serena e uma boa continuidade de acompanhamento. E queremos ampliar o recado que ele deu — porque um desses sinais aparece exatamente onde a gente cuida: na boca.
Por que “feridas na boca que não cicatrizam” é um sinal para investigar?
A maioria das feridas na boca — uma afta, uma mordida na bochecha, uma irritação da prótese — cicatriza sozinha em poucos dias. O sinal de alerta é outro: uma ferida (ou uma mancha branca ou avermelhada) que não cicatriza em duas a três semanas. Essa persistência é o que merece avaliação profissional, sem alarme, mas sem adiar.
Vale um cuidado importante para não gerar pânico: a imensa maioria das feridas na boca não é câncer. O ponto do alerta do Luís Roberto não é assustar — é não ignorar o que insiste em não sarar. Quando o câncer de boca e de cabeça e pescoço é encontrado cedo, as chances de um tratamento menos agressivo são muito maiores.
Por que o dentista costuma ser o primeiro a ver esse sinal?
Aqui está o ponto que quase ninguém conecta: quem passa a maior parte do tempo olhando o interior da boca é o dentista. Numa consulta de rotina, o cirurgião-dentista examina a língua, o assoalho da boca, a parte de dentro das bochechas, o céu da boca e a gengiva — exatamente os lugares onde essas feridas persistentes podem aparecer.
Por isso, a visita regular ao dentista não é só sobre cárie e gengiva: é também uma oportunidade de rastreamento. Um profissional atento pode ser o primeiro a notar uma lesão que a pessoa nem sabia que tinha — e encaminhar para a investigação certa, como o próprio Luís Roberto recomendou (no caso dele, com o cirurgião de cabeça e pescoço).
E se a ferida aparece durante o tratamento do câncer?
Aqui é preciso separar duas coisas, porque a Travessia atende todo tipo de câncer:
- Feridas na boca durante a quimioterapia ou a radioterapia são, na maioria das vezes, a mucosite — um efeito conhecido do tratamento, não um novo câncer. A quimioterapia pode causar feridas na boca em qualquer câncer; a radioterapia causa quando o campo irradiado inclui a região da boca, cabeça ou pescoço, como no caso do Luís Roberto.
- Feridas que surgem fora de tratamento e não cicatrizam são o sinal de rastreamento de que ele falou — o que pede investigação.
Em ambos os casos, o caminho é o mesmo: não conviver em silêncio com uma ferida que não sara. Mostrar para um profissional é o gesto que resolve — seja para aliviar a mucosite, seja para investigar a tempo.
Perguntas rápidas
Quanto tempo uma ferida na boca pode demorar para cicatrizar antes de eu me preocupar? Feridas comuns costumam sarar em até uma a duas semanas. O sinal de alerta é a ferida, mancha branca ou avermelhada que passa de duas a três semanas sem cicatrizar — essa merece avaliação profissional, sem pânico, mas sem adiar.
Quais foram os sinais que o Luís Roberto citou? Feridas na boca que não cicatrizam, caroço no pescoço (o caso dele), rouquidão persistente, dor de garganta que não melhora e dificuldade para engolir. Ele reforçou que esses sinais devem ser investigados por um cirurgião de cabeça e pescoço.
Toda ferida na boca é câncer? Não — a grande maioria não é. Aftas, mordidas e irritações são comuns e passam sozinhas. O que merece atenção é a persistência: o que não cicatriza em duas a três semanas. O dentista ajuda a distinguir o que é banal do que precisa investigar.
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Entenda melhor o mês em Julho Verde: câncer de cabeça, pescoço e boca e por que radioterapia e quimioterapia juntas afetam a boca.
Cuidar da boca antes, durante e depois do tratamento é o coração do nosso trabalho. Na Travessia, o cuidado começa com o preparo da boca antes do tratamento — o momento de checar tudo com calma, inclusive o que precisa ser investigado.
Revisado pela Dra. Jossânia Marcondes, cirurgiã-dentista (CRO-PR 16853), com atuação em odontologia oncológica.
Fontes: Diário do Grande ABC — “Luis Roberto revela fim de tratamento contra câncer” (24/07/2026); Purepeople — “Luis Roberto finaliza tratamento de câncer de cabeça e pescoço”; NCI PDQ — Oral Complications of Cancer Therapies; INCA — Câncer de cabeça e pescoço.