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Preciso fazer radiografia panorâmica antes de começar o tratamento do câncer?

Resposta direta

Sim, na maioria dos casos. A radiografia panorâmica mostra raízes, ossos e infecções escondidas que o exame clínico não alcança — exatamente os focos que viram urgência quando a imunidade cai. É um exame rápido, de dose baixa, e não interfere no tratamento do câncer.

Por Dra. Jossânia Marcondes, cirurgiã-dentista bucomaxilofacial · odontologia hospitalar (Albert Einstein) · CRO-PR 16853
Publicado em 16/08/2026 · Atualizado em 16/08/2026

Você marcou a avaliação odontológica antes de começar o tratamento e a primeira coisa que pediram foi uma radiografia panorâmica. Vem a dúvida — e ela é legítima: “mais um exame? isso não vai me atrasar? e a radiação, some com a da radioterapia?”

O que a panorâmica mostra que o exame clínico não vê

O exame clínico enxerga a coroa dos dentes, a gengiva e a mucosa. A panorâmica enxerga o que está debaixo disso: raízes, osso, seios da face e articulação.

É lá que costumam estar os problemas silenciosos:

Nenhum desses achados dói necessariamente hoje. Todos eles podem virar urgência quando os glóbulos brancos caem — e é exatamente esse o problema que a avaliação antes existe para evitar.

Por que isso é tão decisivo no paciente oncológico?

Porque a boca é a região do corpo com mais bactérias, e a defesa vai cair. Segundo o NCI PDQ, complicações na boca aparecem em cerca de 20% a 40% das pessoas em quimioterapia e em torno de 80% de quem faz transplante de medula óssea. As diretrizes da MASCC/ISOO (Elad et al., 2020) recomendam a avaliação odontológica antes do início do tratamento justamente para eliminar focos de infecção enquanto ainda há tempo de tratar com calma.

Um foco que passa despercebido antes vira, no meio do tratamento, uma infecção com febre, uma internação — e, às vezes, um ciclo de quimioterapia adiado.

E a radiação da panorâmica — é perigosa?

Não. A dose de uma radiografia panorâmica é muito baixa, comparável à radiação natural que qualquer pessoa recebe do ambiente ao longo de poucos dias. Ela é milhares de vezes menor que as doses terapêuticas usadas em radioterapia, medidas em Gy.

Também não existe “somar” com a radioterapia no sentido que a pergunta costuma implicar: são finalidades, doses e escalas completamente diferentes. O exame diagnóstico não reduz nem interfere no efeito do tratamento oncológico.

Isso não vai atrasar o início do meu tratamento?

Na prática, quase nunca. A panorâmica leva menos de um minuto e o resultado sai na hora, em geral no mesmo dia da consulta. O que se ganha com ela é justamente tempo: ver tudo de uma vez permite decidir o que precisa ser resolvido antes e o que pode ser acompanhado durante — em vez de descobrir aos poucos. Esse ponto está explicado em ir ao dentista antes atrasa o início do tratamento?.

Se você já fez uma panorâmica recente, leve — muitas vezes ela serve. Vale conferir a lista de o que levar na primeira consulta.

Sempre é só a panorâmica?

Ela é o padrão inicial, mas nem sempre basta. Radiografias menores (periapicais) podem ser pedidas para detalhar um dente específico, e a tomografia entra quando é preciso avaliar osso com mais precisão — por exemplo, no planejamento de extrações em quem vai receber radioterapia na região da boca ou em quem usa medicação para os ossos.

Na Travessia, esse conjunto faz parte do Preparo Pré-Tratamento (PPT): olhar a boca inteira antes de começar, para que nada precise virar emergência depois.

Perguntas rápidas

Posso fazer panorâmica se já comecei a quimioterapia? Pode. O exame não depende do hemograma. O que depende dos valores do sangue são os procedimentos com sangramento, não a radiografia.

Grávida ou amamentando pode? A conduta é individual e conversada com a equipe, com proteção adequada. Avise sempre antes do exame.

Uso prótese: preciso tirar para o exame? Sim, próteses removíveis e objetos metálicos saem antes da tomada, para não atrapalhar a imagem.

A panorâmica detecta câncer de boca? Ela ajuda a ver alterações no osso, mas lesões de mucosa se identificam no exame clínico. Os sinais a observar estão em sinais na boca que podem ser câncer.

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Revisado pela Dra. Jossânia Marcondes, cirurgiã-dentista (CRO-PR 16853), com atuação em odontologia oncológica. Este texto tem caráter informativo e não substitui a avaliação individual.

Fontes: NCI PDQ — Oral Complications of Chemotherapy and Head/Neck Radiation; Elad et al., Cancer, 2020 — MASCC/ISOO Clinical Practice Guidelines; INCA.