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Vou fazer quimioterapia em Curitiba: onde cuidar da boca antes e durante o tratamento?

Resposta direta

Em Curitiba, o cuidado com a boca deve começar antes da primeira sessão de quimioterapia: um dentista com atuação em odontologia oncológica avalia focos de infecção, resolve o que for urgente e ensina a rotina de higiene do tratamento. Depois, o acompanhamento segue ciclo a ciclo, junto com a equipe de oncologia.

Por Dra. Jossânia Marcondes, cirurgiã-dentista bucomaxilofacial · odontologia hospitalar (Albert Einstein) · CRO-PR 16853
Publicado em 03/08/2026 · Atualizado em 03/08/2026

O diagnóstico chegou, a data da primeira sessão está marcada e a lista de coisas para resolver não para de crescer. No meio dela, quase sempre esquecida, está a boca. Este guia é para quem vai começar quimioterapia em Curitiba e quer entender, sem rodeios, o que fazer com os dentes antes de sentar na cadeira da infusão — e com quem contar durante os meses seguintes.

Por que a boca precisa entrar na conta antes da quimioterapia?

Porque a quimioterapia circula pelo corpo inteiro. Ela ataca células que se multiplicam rápido — as do tumor, mas também as do sangue e as que revestem a boca por dentro. Segundo o National Cancer Institute, cerca de 40% das pessoas em quimioterapia desenvolvem alguma complicação na boca, e o número passa de 75% entre quem faz transplante de medula óssea.

Isso vale para qualquer tipo de câncer tratado com quimioterapia — mama, intestino, pulmão, próstata, linfoma. Não é preciso ter um tumor na região da boca para que a boca sofra: o remédio chega até ela pelo sangue, venha de onde vier a doença.

E há um detalhe que muda tudo: alguns dias depois de cada ciclo, a imunidade cai ao seu ponto mais baixo. Um dente com infecção que estava “quietinho” pode escolher exatamente esse momento para inflamar. Quando isso acontece, a consequência não é só dor — é febre, antibiótico e, às vezes, adiamento da sessão de quimioterapia. O tratamento do câncer perde o ritmo por causa de um dente.

O INCA estima 781 mil novos casos de câncer por ano no Brasil entre 2026 e 2028. A maioria dessas pessoas vai passar por tratamentos que afetam a boca — e a minoria vai preparar a boca antes.

Quanto tempo antes da primeira sessão devo procurar o dentista?

O ideal é de 7 a 14 dias antes do início da quimioterapia. Esse é o intervalo recomendado por diretrizes internacionais para que uma extração ou um procedimento maior tenha tempo de cicatrizar antes de a imunidade começar a oscilar.

Se a sua primeira sessão é daqui a três dias, isso não significa que não vale mais a pena. Significa que a avaliação muda de foco: em vez de resolver tudo, o dentista prioriza o que representa risco imediato, adia o que pode esperar e monta com você a rotina de cuidado para os próximos meses. Detalhamos essa conta de tempo em quantos dias antes da quimioterapia preciso resolver os dentes.

O que o dentista faz nessa avaliação antes do tratamento?

Não é uma consulta de rotina. A pergunta que guia tudo é outra: o que nesta boca pode virar um problema quando as defesas caírem?

Na prática, a avaliação inclui:

Se quiser ver o passo a passo completo, ele está em como preparar a boca antes de começar o tratamento do câncer.

Meu dentista de sempre pode fazer isso em Curitiba?

Ele pode — e deve — fazer parte do time. Mas há uma diferença de perguntas. O dentista clínico geral pergunta “este dente tem cárie?”. O dentista com atuação em odontologia oncológica pergunta “este dente aguenta seis meses de quimioterapia com a imunidade oscilando?”.

O que se espera de um profissional preparado para isso:

Aprofundamos essa diferença em meu dentista de sempre pode me preparar para o tratamento do câncer?.

Onde encontrar esse cuidado na cidade?

Curitiba concentra boa parte da oncologia do Paraná — hospitais de referência, serviços públicos e privados de quimioterapia e radioterapia. Ainda assim, a odontologia oncológica continua sendo o elo mais frágil da rede: nem todo serviço tem dentista na equipe, e muitos pacientes só ouvem falar em “cuidar da boca” quando a ferida já apareceu.

Alguns caminhos para procurar:

  1. Pergunte no seu serviço de oncologia se existe odontologia integrada à equipe. Alguns hospitais têm; vale perguntar sempre.
  2. Peça o encaminhamento por escrito ao oncologista, mesmo que ele não tenha citado o assunto — o pedido facilita a comunicação entre as equipes.
  3. Procure um consultório com atuação específica em odontologia oncológica, que atenda pacientes em tratamento e trabalhe em diálogo com a equipe médica.

Reunimos as perguntas para fazer nessa busca em onde encontrar dentista para paciente com câncer em Curitiba.

E se o oncologista não falou nada sobre dentista?

Acontece o tempo todo — e não é descaso. A consulta oncológica tem muito o que cobrir em pouco tempo, e a boca costuma ficar para depois. Mas a recomendação de avaliação odontológica antes do início do tratamento está em documentos como o PDQ do NCI e no guia de saúde bucal em oncologia do NIDCR/NIH.

Ou seja: você pode tomar a iniciativa. Avise o oncologista de que vai passar por avaliação odontológica e leve para o dentista o nome do protocolo, a data prevista de início e os exames de sangue mais recentes. Falamos disso em o oncologista não me encaminhou ao dentista: preciso ir?.

O cuidado termina quando a preparação acaba?

Não. A preparação resolve o passado da boca; o tratamento traz um presente novo a cada ciclo — gosto alterado, boca seca, gengiva sensível, feridas que aparecem e somem. O acompanhamento serve para ajustar a rotina conforme o corpo responde, tratar cedo o que surgir e evitar que uma queixa pequena vire urgência num dia de imunidade baixa.

Na Travessia, esses dois momentos têm nome: a Preparação Pré-Tratamento (PPT), para quem ainda vai começar, e o Mãos Dadas, o acompanhamento de quem já está no meio do caminho.

Um roteiro simples para as próximas semanas

MomentoO que fazer
Assim que souber a dataMarcar avaliação odontológica e avisar o oncologista
7 a 14 dias antesResolver focos de infecção e procedimentos que precisam cicatrizar
Véspera da 1ª sessãoRotina de higiene ajustada, dúvidas esclarecidas, kit da boca em casa
Durante os ciclosAcompanhamento periódico e contato imediato se surgir ferida ou febre
Depois do tratamentoRetomar o cuidado e planejar a reabilitação, se for necessária

Nenhuma dessas etapas exige heroísmo. Exige apenas que alguém olhe para a boca antes de o tratamento começar — e continue olhando depois.

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Veja o panorama completo em quimioterapia e a boca: o guia completo e entenda o que ter em casa antes do primeiro ciclo no kit boca da quimioterapia.

Perguntas rápidas

Preciso mesmo ir ao dentista antes da quimioterapia? Sim. A avaliação odontológica antes do início do tratamento é recomendada por diretrizes como o PDQ do NCI, porque focos de infecção silenciosos podem inflamar quando a imunidade cair e atrasar a quimioterapia.

Quanto tempo antes devo marcar? O ideal é de 7 a 14 dias antes da primeira sessão, para que extrações e procedimentos maiores tenham tempo de cicatrizar. Com menos tempo, a avaliação segue valendo — muda a prioridade do que se resolve.

Isso vale para qualquer tipo de câncer? Vale. A quimioterapia circula pelo corpo todo e afeta a boca independentemente de onde está o tumor. Já a radioterapia afeta a boca quando o campo de irradiação inclui a região da boca, cabeça ou pescoço.

Posso continuar com meu dentista habitual durante o tratamento? Pode, desde que ele acompanhe o calendário oncológico, saiba interpretar os exames de sangue e converse com a equipe médica. O ideal é somar: o dentista de confiança e alguém com atuação específica em odontologia oncológica.


Revisado pela Dra. Jossânia Marcondes, cirurgiã-dentista (CRO-PR 16853), com atuação em odontologia oncológica. Este texto tem caráter informativo e não substitui a avaliação individual.

Fontes: NCI PDQ — Oral Complications of Chemotherapy and Head/Neck Radiation; MASCC/ISOO Clinical Practice Guidelines (Elad et al., Cancer, 2020); NIDCR/NIH — Oncology Pocket Guide to Oral Health; INCA — Estimativa 2026-2028: Incidência de Câncer no Brasil.