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Durante o tratamento

Qual pasta de dente usar durante o tratamento do câncer?

Publicado em Atualizado em Leitura aproximada: 4 minutos

Resposta direta

Use uma pasta com flúor, sabor suave e sem lauril sulfato de sódio, que resseca e irrita a mucosa. Evite pastas branqueadoras, com abrasivos fortes ou de sabor muito intenso de menta, que ardem na boca sensível. Quem faz radioterapia na região da boca costuma precisar de pasta com alta concentração de flúor, prescrita pelo dentista.

Parece detalhe pequeno. Não é. Durante o tratamento, a boca fica mais seca, mais fina e mais sensível — e a pasta que você usava sem pensar pode passar a arder toda vez que você escova. Quando escovar dói, as pessoas escovam menos. E aí começa o problema de verdade.

Com flúor ou sem flúor?

Com flúor. Essa é a parte fácil.

A saliva é o que protege o dente da cárie o dia inteiro. Quando a quimioterapia ou a radioterapia na região da boca reduz a saliva, esse escudo natural cai — e o flúor passa a fazer o trabalho que a saliva não está dando conta de fazer. Trocar por pasta “natural sem flúor” nessa fase é retirar a proteção justamente quando ela é mais necessária.

O que evitar

  • Lauril sulfato de sódio (SLS) — é o detergente que faz a espuma. Resseca e irrita a mucosa já fragilizada. Está na lista de ingredientes; procure por “lauril sulfato de sódio” ou “sodium lauryl sulfate”.
  • Pastas branqueadoras e “clareadoras” — são mais abrasivas e não têm lugar nenhum durante o tratamento.
  • Sabor forte de menta ou canela — arde na boca com feridas. Sabor suave, infantil ou neutro é mais tolerável.
  • Pastas com muito abrasivo (“controle de tártaro” agressivo, com carvão, com bicarbonato em alta concentração) — riscam a superfície e machucam a gengiva sensível.

E a pasta com alta concentração de flúor?

Quem faz radioterapia com campo na região da boca, cabeça ou pescoço entra em outro patamar de risco: a cárie de radiação pode aparecer meses depois e avança rápido. Nesses casos, o dentista costuma prescrever pasta com 5.000 ppm de flúor — cerca de cinco vezes a concentração de uma pasta comum, de uso diário e contínuo, muitas vezes por anos.

Isso é prescrição, não escolha de supermercado. Entenda o quadro em cárie de radiação: o que é e como prevenir.

Quem faz quimioterapia sem radioterapia na região da boca geralmente segue bem com uma pasta comum com flúor (1.100 a 1.500 ppm) — a menos que a boca seca esteja severa, quando o dentista pode reforçar a concentração também.

Quanto usar quando a boca dói

  • Uma quantidade pequena, do tamanho de um grão de ervilha. Menos espuma, menos ardência.
  • Escova extramacia, sempre. A técnica está em escova, fio dental e quimio.
  • Se arder mesmo assim, escove só com água e escova macia por alguns dias e mantenha o flúor de outra forma, orientada pelo dentista. Boca limpa sem pasta é melhor do que boca não escovada.
  • Não bocheche com força depois. Cuspa o excesso e evite enxaguar demais — deixar um resíduo de flúor na superfície do dente é parte do efeito.

E, para limpar sem agredir entre as escovações, o bochecho caseiro de água com sal ou bicarbonato continua sendo a base: como fazer, na medida certa.

Continue lendo

Veja o kit completo em kit boca da quimioterapia: o que ter em casa e o panorama em quimioterapia e a boca: o guia completo. Se o tratamento já começou, o acompanhamento durante as sessões é o Mãos Dadas.

Perguntas rápidas

Pasta infantil serve para adulto no tratamento? Serve pelo sabor suave e por não ter SLS em muitas marcas, mas confira a concentração de flúor no rótulo — algumas são baixas demais para quem tem risco alto de cárie.

Posso usar enxaguante bucal junto? Depende de qual. Enxaguante com álcool arde e resseca, e deve ser evitado — explicamos em enxaguante bucal com álcool na radioterapia.

Pasta para dente sensível ajuda? Pode ajudar na sensibilidade, e muitas têm sabor mais suave. Só verifique se tem flúor e se não tem lauril sulfato de sódio.

Preciso trocar a pasta quando o tratamento acabar? Nem sempre. Quem fez radioterapia na região da boca costuma seguir com a pasta de alta concentração por muito tempo, por decisão do dentista — o cuidado continua depois da alta.


Revisado pela Dra. Jossânia Marcondes, cirurgiã-dentista (CRO-PR 16853), com atuação em odontologia oncológica. Este texto tem caráter informativo e não substitui a avaliação individual.

Fontes: NCI PDQ — Oral Complications of Chemotherapy and Head/Neck Radiation; MASCC/ISOO Clinical Practice Guidelines for the Management of Mucositis (Elad et al., Cancer, 2020).

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