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Posso usar prótese (dentadura) durante a radioterapia?

Resposta direta

Depende da fase. A prótese removível sai durante as sessões e, se surgirem feridas (mucosite), o uso é reduzido ou pausado até a mucosa cicatrizar — o atrito piora as lesões. Antes da primeira sessão, o dentista avalia e ajusta a prótese: mal adaptada, ela machuca a mucosa frágil.

Por Dra. Jossânia Marcondes, cirurgiã-dentista bucomaxilofacial · odontologia hospitalar (Albert Einstein) · CRO-PR 16853
Publicado em 19/07/2026 · Atualizado em 19/07/2026

A prótese atrapalha a radioterapia?

Primeiro, o contexto: essa preocupação vale para quem recebe radiação na região da boca, cabeça ou pescoço. A radioterapia em outras partes do corpo não afeta a boca — nem pede mudança no uso da prótese (entenda por quê).

Quando o campo inclui a boca, a prótese em si não “atrapalha” o efeito da radiação no tumor, mas a relação entre a prótese e a mucosa muda completamente durante o tratamento. A mucosa que sustenta a dentadura vai ficar inflamada, mais fina e mais seca — e uma prótese que era confortável pode se transformar em fonte de machucado.

Por que a mucosa fica tão sensível?

Segundo o National Cancer Institute (NCI), praticamente todos os pacientes em radioterapia nessa região desenvolvem algum grau de mucositeas feridas na boca da radioterapia —, geralmente a partir da segunda ou terceira semana. Ao mesmo tempo, a produção de saliva cai, e a saliva é justamente o “colchão” que lubrifica o contato da prótese com a gengiva. Menos saliva + mucosa ferida + atrito da prótese é a combinação que transforma um ponto de pressão em úlcera.

Então, quando usar e quando pausar?

As orientações gerais que as diretrizes de cuidado bucal em oncologia (NCI; MASCC/ISOO) apontam — e que individualizamos caso a caso:

Como higienizar a prótese durante o tratamento?

Com a imunidade e a saliva reduzidas, a prótese pode acumular fungos — e a candidose (sapinho) adora se esconder sob a dentadura. A rotina segura:

  1. Escove a prótese após cada refeição, com escova própria e sabão neutro ou produto específico (creme dental comum pode riscar a resina);
  2. Higienize também a gengiva e a língua com escova macia ou gaze umedecida;
  3. Deixe a prótese fora da boca à noite, limpa e seca — ou em solução indicada pelo dentista;
  4. Nada de soluções caseiras com água sanitária ou álcool; e enxaguantes, sempre sem álcool.

Por que a prótese precisa ser vista ANTES da primeira sessão?

Porque o melhor momento de resolver uma prótese mal adaptada é quando a mucosa ainda está saudável. Na avaliação que fazemos antes do tratamento — a Preparação Pré-Tratamento (PPT) —, a prótese é examinada, ajustada ou reembasada, e os pontos de pressão são eliminados. É uma das etapas do preparo da boca antes da radioterapia que mais evitam sofrimento nas semanas seguintes.

E durante as sessões, o acompanhamento continua: no programa Mãos Dadas, a mucosa é monitorada de perto e o uso da prótese vai sendo liberado ou pausado conforme a boca responde. Para entender o tratamento como um todo, visite o guia completo da radioterapia e a boca.

Perguntas frequentes

E prótese fixa ou implante que já existe, precisa remover? Não se remove prótese fixa saudável por causa da radioterapia. O que a avaliação prévia verifica é se há infecção ou problema ao redor dela — e trata antes de começar.

Vou poder fazer uma prótese nova depois da radioterapia? Sim — próteses removíveis e restaurações fazem parte da reabilitação depois do tratamento, com a mucosa cicatrizada e técnica adaptada à boca seca. Já implantes em osso irradiado dependem da dose e da região tratada: em parte dos casos, não são indicados, e a reabilitação acontece por outros caminhos. Só a avaliação especializada decide — falamos disso em implante dentário após radioterapia.

Quanto tempo depois do fim do tratamento posso voltar a usar normalmente? Quando a mucosite cicatrizar e o dentista confirmar que a mucosa aguenta o apoio da prótese — em geral algumas semanas após a última sessão, com reavaliação da adaptação, porque a boca pode ter mudado.


Revisado pela Dra. Jossânia Marcondes, cirurgiã-dentista — CRO-PR 16853, com atuação em odontologia oncológica.

Fontes: National Cancer Institute — PDQ Oral Complications of Cancer Therapies (Health Professional Version); MASCC/ISOO Clinical Practice Guidelines for the Management of Mucositis (Elad et al., Cancer, 2020).