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Posso colocar implante antes de começar o tratamento do câncer?

Resposta direta

Em geral, não. O implante precisa de meses para integrar ao osso, e o tratamento do câncer não pode esperar por isso. A prioridade antes de começar é eliminar infecção e trauma. A reposição do dente fica para a fase de reabilitação, quando será avaliada com segurança.

Por Dra. Jossânia Marcondes, cirurgiã-dentista bucomaxilofacial · odontologia hospitalar (Albert Einstein) · CRO-PR 16853
Publicado em 02/08/2026 · Atualizado em 02/08/2026

A pergunta por trás da pergunta

Quem faz essa pergunta quase sempre está diante de uma cena específica: o dentista disse que um dente precisa sair antes do tratamento começar, e a pessoa pensa — já que vai tirar, não dá para colocar o implante junto e resolver tudo de uma vez?

Faz todo sentido querer isso. Mas a resposta costuma ser não, agora não é o momento — e o motivo é de tempo, não de impossibilidade.

Por que não agora?

Um implante não termina no dia da cirurgia. Ele precisa de um período de integração ao osso que, em geral, leva de três a seis meses. Durante esse tempo, a área precisa de cicatrização tranquila, sem infecção e com boa imunidade.

O tratamento do câncer, por sua vez, tem hora marcada — e ele muda exatamente as três condições de que o implante precisa:

Somando: colocar um implante às vésperas do tratamento significa entrar na fase mais vulnerável com uma cirurgia recente na boca. É o oposto do que o preparo busca.

Então o que se faz antes de começar?

A meta do preparo é enxuta e clara: entrar no tratamento sem infecção e sem trauma na boca. Segundo o National Cancer Institute (NCI), cerca de 4 em cada 10 pessoas em quimioterapia desenvolvem alguma complicação oral — e um foco de infecção prévio piora esse cenário.

Na prática, isso significa tratar cáries e infecções de raiz, remover dentes sem recuperação, tratar a gengiva, ajustar próteses que machucam e organizar a higiene. Repor o dente ausente não entra nessa lista — a ausência de um dente não interrompe o tratamento; uma infecção, sim.

Para quem vai fazer radioterapia com campo na região da boca, cabeça ou pescoço, há um agravante: extrações precisam acontecer com pelo menos 2 a 3 semanas de antecedência para cicatrizar. Já quem vai iniciar medicação óssea (bisfosfonato, denosumabe) precisa resolver tudo o que for cirúrgico antes da primeira dose.

E a falta do dente enquanto isso?

Existem soluções provisórias — próteses removíveis simples, mantenedores estéticos — que devolvem aparência e alguma função sem cirurgia. Elas precisam ser bem ajustadas para não machucar a mucosa durante o tratamento, quando qualquer trauma vira ferida com facilidade.

Conversar sobre isso no preparo evita meses de constrangimento desnecessário.

E depois, o implante entra?

Depende — e a resposta muda conforme o tratamento que você fizer.

Se você fizer quimioterapia sem radiação na região da boca, cabeça ou pescoço, o implante costuma voltar à mesa quando a recuperação permitir, com critérios próximos dos habituais.

Se houver radioterapia com campo na região da boca, a conversa é outra: em osso irradiado, a indicação depende da dose, da região, do tempo e da sua saúde bucal — e em parte dos casos o implante não é indicado, pelo risco de osteorradionecrose. Isso não é o fim da reabilitação: prótese, restauração e ajustes reconstroem função e sorriso. Reabilitar é sempre possível — o caminho é que é individual.

Se você está começando agora, o roteiro do preparo está no PPT — Preparo Pré-Travessia.

Perguntas rápidas

E se eu já tenho implantes colocados há anos? Implantes já integrados e saudáveis costumam ser mantidos. Eles entram na avaliação como qualquer outra estrutura: o que se checa é a gengiva ao redor, a higiene e a estabilidade. Avise sempre a equipe.

Coloquei um implante há pouco tempo e vou começar o tratamento. E agora? Avise o dentista e o oncologista. A área precisa ser acompanhada de perto durante a fase de imunidade baixa, e a colocação da parte protética costuma ser reprogramada conforme o calendário do tratamento.

Dá para adiar o tratamento do câncer para fazer o implante antes? Não. O tratamento oncológico tem prioridade sobre qualquer procedimento eletivo. A boca se organiza em torno do calendário dele, nunca o contrário.

Vou ficar sem o dente para sempre? Não. A reposição fica para a fase de reabilitação, com o caminho definido pelo que o seu tratamento deixou. Veja como se monta esse plano.

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Entenda quantos dias antes da quimioterapia é preciso resolver os dentes e leia sobre implante dentário depois da radioterapia.


Revisado pela Dra. Jossânia Marcondes, cirurgiã-dentista (CRO-PR 16853), com atuação em odontologia oncológica — Curitiba/PR.

Fontes: NCI PDQ — Oral Complications of Cancer Therapies; MASCC/ISOO — Elad et al., Cancer, 2020; Schiegnitz et al., Clinical Oral Investigations, 2021 — implantes e osteorradionecrose em pacientes irradiados.