O susto foi contado por ele mesmo, com o bom humor de sempre: “Acabado o banho, fui pegar a toalha e caí no mármore molhado. Tudo certo.” O cantor Netinho, de 60 anos, escorregou no banheiro de casa na terça-feira — e aproveitou para comemorar: já fez a oitava de dezesseis sessões de quimioterapia contra o linfoma, metade do caminho, e relata estar sem efeitos colaterais.
Ficamos felizes que tenha sido só um susto, e seguimos torcendo por uma boa travessia até a última sessão. E a notícia abre uma conversa que quase ninguém tem antes de precisar dela: por que uma queda, durante a quimioterapia, não é uma queda qualquer?
Por que quedas pedem mais atenção durante a quimioterapia?
Porque a quimioterapia mexe, em ciclos, com as células do sangue — em qualquer tipo de câncer.
- Plaquetas baixas (trombocitopenia): as plaquetas são as células que estancam sangramentos. Em fases do ciclo, elas caem — e uma pancada que normalmente renderia só um roxo pode sangrar mais e por mais tempo. O NCI PDQ alerta para risco aumentado de sangramento, inclusive na boca, quando as contagens estão baixas.
- Defesas baixas (neutropenia): um corte ou machucado infecciona com mais facilidade nos dias de imunidade no fundo do ciclo.
- Cansaço e tontura: anemia, hidratação irregular e o próprio tratamento deixam o corpo menos firme — o risco de escorregar aumenta justamente quando cair custa mais caro.
E se a pancada for na boca?
A boca entra nessa conta com frequência: em quedas, o queixo, os lábios e os dentes estão na linha de frente. Durante a quimioterapia, três cuidados fazem diferença:
- Sangramento na boca que não para em 15-20 minutos com compressão suave é motivo para contatar a equipe — pode ser sinal de plaquetas baixas. Gengiva que sangra sozinha, sem pancada, também: explicamos aqui.
- Dente que trincou, amoleceu ou cortou a mucosa precisa de avaliação odontológica rápida — uma ferida aberta na boca, com imunidade baixa, é porta de infecção. Febre junto com ferida na boca é urgência: saiba quando correr.
- Avise a equipe do seu tratamento sobre qualquer queda, mesmo “sem nada”. É o que Netinho fez ao compartilhar: nomear o susto. Em casa, vale o mesmo — a equipe decide se algum exame é necessário.
Como deixar a casa mais segura durante o tratamento?
Pequenos ajustes, grande diferença — e o banheiro é o campeão de quedas:
- Tapete antiderrapante dentro e fora do box; atenção redobrada com piso de mármore ou porcelanato molhado.
- Toalha ao alcance antes de abrir o chuveiro — o passo apressado no piso molhado foi exatamente o vilão da história.
- Barras de apoio se houver dias de fraqueza; luz acesa no caminho do banheiro à noite.
- Levantar devagar da cama e de cadeiras nos dias após a sessão — a pressão pode oscilar.
- Quem cuida de alguém em tratamento encontra mais sinais de alerta em o que o cuidador não pode ignorar.
Metade do protocolo: o que as próximas oito sessões pedem da boca?
Netinho relata zero efeitos colaterais — excelente notícia. E vale manter a régua alta até o fim: o efeito da quimioterapia sobre a mucosa e o sangue é cumulativo em ciclos, e a segunda metade do protocolo merece o mesmo capricho da primeira. Higiene suave, hidratação constante e atenção aos primeiros sinais de ferida seguem valendo — o roteiro completo está em quimioterapia longa: cuidando da boca sessão após sessão.
Para quem está no meio da própria travessia, é para essa fase que existe o acompanhamento Mãos Dadas — porque de mão dada é mais fácil.
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O panorama do cuidado durante o tratamento está em quimioterapia e a boca: o guia completo e o que ter em casa em kit boca da quimioterapia.
Perguntas rápidas
Caí durante a quimio e estou bem. Preciso avisar alguém? Sim, avise a equipe do seu tratamento mesmo sem sintomas. Com plaquetas baixas, sangramentos internos podem ser silenciosos — quem decide se precisa de exame é a equipe.
Bati a boca e o sangramento demora a parar. O que faço? Comprima o local com gaze ou pano limpo por 15-20 minutos, sem bochechar com força. Se não estancar, contate a equipe do tratamento — pode ser fase de plaquetas baixas.
Quimioterapia de linfoma afeta a boca mesmo sem o câncer ser “na boca”? Sim. A quimioterapia circula pelo corpo inteiro e afeta a boca no tratamento de qualquer câncer — linfoma, mama, próstata, intestino. É por isso que o cuidado odontológico acompanha o protocolo, não o tipo de tumor.
Tontura durante o tratamento é normal? É comum em alguns dias do ciclo, mas deve ser relatada — anemia, pressão e desidratação têm ajuste. Enquanto isso, levante devagar e redobre o cuidado com pisos molhados.
Revisado pela Dra. Jossânia Marcondes, cirurgiã-dentista (CRO-PR 16853), com atuação em odontologia oncológica. Este texto tem caráter informativo, não substitui a avaliação individual e não comenta o caso clínico do artista além do que ele próprio tornou público.
Fontes: O Tempo — Aos 60 anos, cantor em tratamento de câncer sofre acidente doméstico (06/08/2026); NCI PDQ — Oral Complications of Chemotherapy and Head/Neck Radiation; MASCC/ISOO Clinical Practice Guidelines (Elad et al., Cancer, 2020).