O cantor Netinho completou 60 anos em julho de 2026 e usou as redes para atualizar os fãs sobre o tratamento de um linfoma raro, diagnosticado em maio. Ele contou ter concluído a quarta de dezesseis sessões de quimioterapia, sem efeitos colaterais até ali, e disse estar “focado no tratamento com todos os seus detalhes”, segundo o Jornal Correio e o Vagalume.
Aqui na Travessia não comentamos a saúde de ninguém — desejamos ao Netinho uma boa travessia. Mas a situação dele ilustra bem algo que muita gente vive: um tratamento longo, de muitas sessões. E isso muda a forma como a boca precisa ser cuidada.
Por que a boca sente mais nas sessões que faltam?
A quimioterapia atinge as células que se multiplicam rápido — e a mucosa que forra a boca é uma delas. Num tratamento de muitos ciclos, dois fatores se somam ao longo do caminho: a mucosa vai ficando mais sensível com a repetição das doses, e a imunidade oscila a cada ciclo, com janelas de maior vulnerabilidade a infecção.
Por isso “estar bem nas primeiras sessões” não garante que a boca ficará imune até o fim. As feridas na boca (mucosite) atingem cerca de 40% dos pacientes em quimioterapia, segundo o NCI PDQ, e podem aparecer em qualquer ciclo. A boa notícia: sabendo disso, dá para se antecipar e reduzir o impacto.
O que ajuda a atravessar um tratamento longo com a boca protegida?
- Higiene suave e constante: escova macia, creme com flúor, do primeiro ao último ciclo;
- Hidratação o dia todo: goles frequentes de água combatem a boca seca que se acumula ao longo das sessões;
- Bochechos brandos (água com bicarbonato) para conforto — sem enxaguantes com álcool;
- Olhar a boca no espelho entre os ciclos: feridas ou manchas novas são informação para a equipe;
- Acompanhamento odontológico durante todo o tratamento, e não só no começo — o cuidado se ajusta conforme a boca responde.
Vale lembrar: linfoma não é um câncer da região da boca. Mas a quimioterapia usada para tratá-lo pode afetar a boca, como em qualquer câncer tratado com quimio. É por isso que o cuidado bucal faz parte da travessia mesmo quando o tumor está longe da boca.
Perguntas rápidas
Se as primeiras sessões foram tranquilas, o resto será também? Não necessariamente. A sensibilidade da mucosa pode aumentar com a repetição das doses, e efeitos podem surgir em ciclos mais adiantados. Manter o cuidado até a última sessão é o que protege.
Linfoma afeta a boca? O linfoma em si geralmente não. Mas a quimioterapia usada para tratá-lo pode afetar a boca — com feridas, boca seca e mudança de gosto — como em qualquer câncer tratado com quimio.
Quando devo procurar o dentista durante um tratamento longo? No começo, para preparar a boca, e sempre que surgir algo novo — ferida, dor, sangramento. O ideal é ter acompanhamento contínuo, não só uma visita inicial.
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Entenda por que a quimioterapia afeta a boca em qualquer tipo de câncer e o que muda quando a quimioterapia é longa, com muitas sessões.
Para atravessar todo o tratamento com a boca acompanhada de perto, conheça o Mãos Dadas.
Revisado pela Dra. Jossânia Marcondes, cirurgiã-dentista (CRO-PR 16853), com atuação em odontologia oncológica.
Fontes: Jornal Correio — Netinho celebra 60 anos em tratamento (jul/2026); Vagalume — Netinho anuncia plano de volta aos palcos (jul/2026); NCI PDQ — Oral Complications of Chemotherapy and Head/Neck Radiation; MASCC/ISOO Clinical Practice Guidelines (Elad et al., Cancer, 2020).