TRAVESSIA odontologia oncológica Agendar

Quem toma medicação para os ossos nunca mais pode ir ao dentista? Mito ou verdade

Resposta direta

Mito. Quem toma bisfosfonato ou denosumabe precisa ir ao dentista com mais frequência, não menos. Limpeza, restauração, tratamento de canal e prótese seguem liberados. O que exige planejamento junto com a equipe médica são os procedimentos que mexem no osso, como extrações e implantes.

Por Dra. Jossânia Marcondes, cirurgiã-dentista bucomaxilofacial · odontologia hospitalar (Albert Einstein) · CRO-PR 16853
Publicado em 21/07/2026 · Atualizado em 21/07/2026

Mito ou verdade: “tomo medicação para os ossos, então não posso mais ir ao dentista”

Mito — e um dos mais perigosos que circulam.

A confusão nasce de algo real: quem usa medicação antirreabsortiva (bisfosfonatos como o ácido zoledrônico, ou o denosumabe) tem risco aumentado de osteonecrose dos maxilares por medicamento após procedimentos que mexem no osso. Alguém escuta isso, entende “dentista é perigoso” e para de ir.

O resultado é o oposto do pretendido. Sem consulta, a cárie vira infecção, a gengiva adoece, o dente apodrece — e infecção crônica no osso também é gatilho de osteonecrose. Fugir do dentista não elimina o risco. Aumenta.

O que continua totalmente liberado

O que exige planejamento (não proibição)

A regra prática

Em vez de “nunca mais”, a orientação correta é:

Vá ao dentista a cada 3 a 6 meses, e diga em toda consulta qual medicação você usa, em que dose e há quanto tempo.

Leve a caixa ou a receita. Essa informação simples é o que permite ao dentista escolher a conduta certa — e é o que muda um procedimento arriscado em um procedimento planejado.

Se a medicação ainda não começou, existe uma janela melhor ainda: o Plano Pré-Tratamento, que organiza a boca antes da primeira dose.

Perguntas rápidas

Meu dentista de sempre pode me atender? Pode, desde que saiba da medicação e esteja disposto a conversar com o oncologista antes de qualquer procedimento no osso. Para extrações e cirurgias, o ideal é quem tem experiência em odontologia oncológica.

Preciso avisar mesmo se parei de tomar? Sim. O bisfosfonato fica depositado no osso e o efeito persiste por anos depois da última dose. “Eu já tomei” é uma informação clínica, não uma lembrança.

E se eu tomo só o comprimido de osteoporose? O risco na dose de osteoporose é muito menor — abaixo de 0,05% segundo a AAOMS —, mas a informação continua sendo necessária. O cuidado é proporcional, não ausente.

Continue lendo

Entenda o quadro completo em osteonecrose dos maxilares por medicamento (MRONJ) e veja o preparo ideal em medicação para os ossos: o que resolver antes da primeira dose.


Revisado pela Dra. Jossânia Marcondes, cirurgiã-dentista (CRO-PR 16853), com atuação em odontologia oncológica.

Fontes: MASCC/ISOO/ASCO Clinical Practice Guideline — Medication-Related Osteonecrosis of the Jaw (Yarom et al., J Clin Oncol, 2019); AAOMS Position Paper on Medication-Related Osteonecrosis of the Jaw; NCI PDQ — Oral Complications of Cancer Therapies.