Mito ou verdade: “tomo medicação para os ossos, então não posso mais ir ao dentista”
Mito — e um dos mais perigosos que circulam.
A confusão nasce de algo real: quem usa medicação antirreabsortiva (bisfosfonatos como o ácido zoledrônico, ou o denosumabe) tem risco aumentado de osteonecrose dos maxilares por medicamento após procedimentos que mexem no osso. Alguém escuta isso, entende “dentista é perigoso” e para de ir.
O resultado é o oposto do pretendido. Sem consulta, a cárie vira infecção, a gengiva adoece, o dente apodrece — e infecção crônica no osso também é gatilho de osteonecrose. Fugir do dentista não elimina o risco. Aumenta.
O que continua totalmente liberado
- Limpeza profissional — mais importante do que nunca
- Restaurações de cáries
- Tratamento de canal — inclusive como alternativa preferencial à extração
- Tratamento de gengiva (periodontal)
- Ajuste e confecção de próteses, desde que não fiquem machucando
- Aplicação de flúor e orientação de higiene
- Radiografias e acompanhamento de rotina
O que exige planejamento (não proibição)
- Extrações — possíveis, com técnica cuidadosa, sutura fechando a ferida e acompanhamento. Veja posso extrair dente tomando bisfosfonato ou denosumabe?
- Cirurgias no osso, incluindo periodontais
- Implantes dentários — depende da dose, do tempo de uso e da saúde da boca; só a avaliação individual decide
A regra prática
Em vez de “nunca mais”, a orientação correta é:
Vá ao dentista a cada 3 a 6 meses, e diga em toda consulta qual medicação você usa, em que dose e há quanto tempo.
Leve a caixa ou a receita. Essa informação simples é o que permite ao dentista escolher a conduta certa — e é o que muda um procedimento arriscado em um procedimento planejado.
Se a medicação ainda não começou, existe uma janela melhor ainda: o Plano Pré-Tratamento, que organiza a boca antes da primeira dose.
Perguntas rápidas
Meu dentista de sempre pode me atender? Pode, desde que saiba da medicação e esteja disposto a conversar com o oncologista antes de qualquer procedimento no osso. Para extrações e cirurgias, o ideal é quem tem experiência em odontologia oncológica.
Preciso avisar mesmo se parei de tomar? Sim. O bisfosfonato fica depositado no osso e o efeito persiste por anos depois da última dose. “Eu já tomei” é uma informação clínica, não uma lembrança.
E se eu tomo só o comprimido de osteoporose? O risco na dose de osteoporose é muito menor — abaixo de 0,05% segundo a AAOMS —, mas a informação continua sendo necessária. O cuidado é proporcional, não ausente.
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Entenda o quadro completo em osteonecrose dos maxilares por medicamento (MRONJ) e veja o preparo ideal em medicação para os ossos: o que resolver antes da primeira dose.
Revisado pela Dra. Jossânia Marcondes, cirurgiã-dentista (CRO-PR 16853), com atuação em odontologia oncológica.
Fontes: MASCC/ISOO/ASCO Clinical Practice Guideline — Medication-Related Osteonecrosis of the Jaw (Yarom et al., J Clin Oncol, 2019); AAOMS Position Paper on Medication-Related Osteonecrosis of the Jaw; NCI PDQ — Oral Complications of Cancer Therapies.