O que é o Julho Verde
Julho é o mês nacional de combate ao câncer de cabeça e pescoço — o Julho Verde. A campanha, criada pela Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço e instituída em lei em 2022, escolheu este mês porque o Dia Mundial de Prevenção e Combate ao Câncer de Cabeça e Pescoço é celebrado em 27 de julho. O objetivo é um só: chamar atenção para uma doença comum, muitas vezes silenciosa no começo, e para o poder do diagnóstico precoce.
Na Travessia, a Travessia cuida da boca de quem enfrenta qualquer tipo de câncer — mas o Julho Verde toca de perto o nosso trabalho, porque é justamente nos tumores da região da cabeça e pescoço que a boca entra diretamente na linha de tratamento.
Os números que o Julho Verde quer mudar
Os dados ajudam a entender a urgência da campanha:
- O INCA estima 39.550 novos casos de câncer de cabeça e pescoço por ano no Brasil (estimativa para o triênio 2023–2025, excluindo os de pele).
- Cerca de 80% dos casos são diagnosticados em estágio avançado (III ou IV), o que dificulta o tratamento e piora o prognóstico.
- Quando identificado cedo, esse câncer pode alcançar índices de cura de até 90% — daí a importância de reconhecer os primeiros sinais.
Quais são os sinais de alerta?
O câncer de cabeça e pescoço engloba tumores da boca, língua, garganta (orofaringe), laringe, amígdalas e outras estruturas da região. Vale procurar um médico ou dentista se algum destes sinais durar mais de duas a três semanas:
- Ferida na boca ou no lábio que não cicatriza.
- Mancha branca ou vermelha na gengiva, língua ou mucosa.
- Dor de garganta ou rouquidão persistente.
- Caroço no pescoço.
- Dificuldade ou dor ao engolir.
- Dor ou dormência na boca sem causa aparente.
Os principais fatores de risco são o tabagismo, o consumo excessivo de álcool e a infecção por HPV. A boa notícia: os dois primeiros são evitáveis, e o dentista é, muitas vezes, o primeiro a flagrar uma lesão suspeita num exame de rotina.
Por que, nesse câncer, a boca entra no tratamento
Aqui está a conexão com o nosso trabalho. Quando o tumor está na região da cabeça e pescoço, o tratamento — que costuma envolver radioterapia, muitas vezes combinada com quimioterapia ou cirurgia — passa por dentro da boca. A radiação atravessa glândulas de saliva, gengiva, osso e mucosa, e deixa efeitos que acompanham a pessoa: boca seca, feridas, cárie de radiação, dificuldade de abrir a boca e o risco de osteorradionecrose.
Por isso, nesse tipo de câncer, o cuidado odontológico não é um detalhe — é parte do tratamento. E ele começa antes da primeira sessão: resolver focos de infecção e dentes sem recuperação com o osso ainda saudável é o que previne as complicações mais graves. É o que fazemos na Preparação Pré-Tratamento (PPT), seguindo depois, lado a lado, no Mãos Dadas.
Um convite do Julho Verde
Se este mês serve para alguma coisa, é para lembrar de olhar para dentro da própria boca — e para a de quem amamos. Uma ferida que não fecha, uma mancha que não some: dois minutos de atenção podem antecipar um diagnóstico e mudar uma história. E, para quem já recebeu o diagnóstico, fica o nosso recado de sempre: a boca pode ser cuidada em todas as fases, e ninguém precisa atravessar isso sozinho.
Para entender o quadro completo, veja o guia da radioterapia e a boca.
Revisado pela Dra. Jossânia, cirurgiã-dentista (CRO-PR), com atuação em odontologia oncológica.
Fontes: Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço (SBCCP) — campanha Julho Verde; INCA — Estimativa de câncer no Brasil; Ministério da Saúde — Julho Verde; National Cancer Institute — PDQ Oral Complications of Head/Neck Radiation.
Perguntas rápidas
Quais sinais pedem avaliação? Ferida na boca que não cicatriza em duas a três semanas, caroço no pescoço, rouquidão persistente e dor ao engolir. Sinais persistentes merecem avaliação médica ou odontológica.
Quem tem mais risco de câncer de cabeça e pescoço? Tabagismo e álcool são os principais fatores, e a infecção por HPV vem crescendo em importância. Homens acima de 40 anos concentram a maioria dos casos.
Por que o dentista é importante nessa campanha? Porque muitos tumores de boca são visíveis no exame odontológico de rotina — o dentista costuma ser o primeiro profissional a notar uma lesão suspeita.