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Chiclete que reduz o HPV na boca em 93%: o que o estudo de agosto de 2026 mostrou (e o que ainda não)

Resposta direta

O estudo testou uma goma de mascar feita de feijão-lablab em amostras de saliva de pacientes, fora do corpo. O extrato reduziu o HPV em até 93% na saliva e quase zerou duas bactérias ligadas ao câncer de cabeça e pescoço. É promissor — mas ainda não é tratamento disponível para ninguém.

Por Dra. Jossânia Marcondes, cirurgiã-dentista bucomaxilofacial · odontologia hospitalar (Albert Einstein) · CRO-PR 16853
Publicado em 13/08/2026 · Atualizado em 13/08/2026

A notícia

No começo de agosto de 2026, a Escola de Medicina Dentária da Universidade da Pensilvânia divulgou um estudo publicado na revista Scientific Reports, liderado pelo professor Henry Daniell, sobre uma goma de mascar bioengenheirada — feita a partir do feijão-lablab, que contém naturalmente uma proteína antiviral chamada FRIL.

Os pesquisadores usaram amostras de saliva e de bochecho de pacientes com carcinoma de células escamosas de cabeça e pescoço e testaram o extrato da goma contra três micro-organismos associados a esse tipo de câncer: o HPV e as bactérias Porphyromonas gingivalis e Fusobacterium nucleatum.

Os números: redução de até 93% do HPV nas amostras de saliva e de 80% nas amostras de bochecho. Numa segunda versão, com um peptídeo antimicrobiano chamado protegrina, uma única dose derrubou as duas bactérias a níveis próximos de zero — sem prejudicar as bactérias boas que vivem normalmente na boca.

Por que isso interessa a quem cuida da boca no câncer

Porque a boca deixou de ser coadjuvante nessa história. O aumento global do câncer de orofaringe está ligado à infecção por HPV, e a presença de determinadas bactérias na boca está associada a piores desfechos em câncer oral recorrente ou metastático.

Chama atenção também o detalhe do microbioma preservado. É o oposto do que acontece na radioterapia com campo na região da boca: ela reduz bactérias benéficas e favorece o crescimento de fungos como a Candida albicans — o que a gente reconhece na cadeira como sapinho.

O que o estudo NÃO diz

Aqui é onde precisamos ser precisos, porque manchete boa passa longe da letra miúda:

O que continua valendo hoje

Enquanto a ciência caminha, o que já está comprovado e ao alcance de todo mundo é bem menos glamouroso — e bem mais eficaz:

No Brasil, o INCA estima 781 mil novos casos de câncer por ano no triênio 2026-2028 — e o diagnóstico tardio segue sendo o maior problema do câncer de boca por aqui. Nenhum chiclete resolve isso. Um exame de boca de dois minutos, feito com regularidade, resolve muito.

Perguntas rápidas

Posso mascar chiclete comum para proteger a boca no tratamento? Chiclete comum não tem efeito antiviral nenhum. O que existe, e é útil em outro contexto, é a goma sem açúcar — ela estimula a saliva e pode aliviar a boca seca. Mais em boca seca no tratamento do câncer.

Esse chiclete vai chegar ao Brasil? Não há previsão. O estudo é pré-clínico e os próprios autores apontam ensaios clínicos como o próximo passo.

HPV na boca significa que vou ter câncer? Não. A maior parte das infecções por HPV é eliminada pelo próprio organismo. A infecção persistente por tipos de alto risco é que aumenta o risco de câncer de orofaringe — e a vacina é a proteção com eficácia estabelecida.

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Revisado pela Dra. Jossânia Marcondes, cirurgiã-dentista (CRO-PR 16853), com atuação em odontologia oncológica. Este texto tem caráter informativo e não substitui a avaliação individual.

Fontes: Daniell H. et al., Scientific Reports, 2026 — Ex vivo HNSCC clinical studies using saliva and antiviral or antibacterial chewing gums; University of Pennsylvania / Penn Dental Medicine; NCI PDQ — Oral Complications; INCA — Estimativa 2026-2028.