O que diz a nova estimativa do INCA?
O Instituto Nacional de Câncer (INCA) projeta 781 mil novos casos de câncer por ano no Brasil para o triênio de 2026 a 2028. Excluídos os tumores de pele não melanoma — muito frequentes, mas de baixa letalidade —, a estimativa é de cerca de 518 mil casos novos ao ano. É um aumento de pouco mais de 10% em relação ao triênio anterior, quando a projeção era de 704 mil casos por ano.
O próprio INCA atribui esse crescimento principalmente ao envelhecimento e ao aumento da população, além das desigualdades no acesso à prevenção e ao diagnóstico precoce. Em termos práticos, o câncer se consolida como uma das principais causas de adoecimento no país — e cada um desses números é uma pessoa que, muito provavelmente, vai iniciar um tratamento.
O que esses números têm a ver com a boca?
Tudo — e é a parte que raramente entra na conversa. A maioria dessas centenas de milhares de pessoas fará quimioterapia, radioterapia ou ambas, e esses tratamentos afetam a boca com muita frequência:
- A quimioterapia pode afetar a boca em qualquer tipo de câncer. Como os medicamentos circulam pelo corpo todo, alcançam a mucosa da boca independentemente de onde está o tumor. Feridas na boca (mucosite), boca seca, alteração no paladar e maior risco de infecção podem surgir no tratamento de mama, de um linfoma, de intestino — de qualquer câncer. Segundo o National Cancer Institute (NCI), complicações bucais são comuns na quimioterapia, e a mucosite atinge uma parcela expressiva dos pacientes.
- A radioterapia afeta a boca quando o campo inclui a região da boca, cabeça ou pescoço. Nesses casos, os efeitos podem ser intensos e duradouros — mucosite, boca seca, cárie de radiação. O câncer de cavidade oral, aliás, está entre os cinco mais frequentes em homens no Brasil, segundo o próprio INCA.
Nem todo tratamento afeta a boca — mas uma parcela enorme afeta. E o problema é que a boca costuma ser a última coisa em que se pensa quando o diagnóstico chega.
Por que o preparo da boca deveria ser regra?
Porque a hora de proteger a boca é antes de o tratamento começar — quando a imunidade ainda está firme e o osso ainda cicatriza normalmente. Uma avaliação odontológica prévia trata focos de infecção, resolve dentes sem recuperação, ajusta próteses e monta a proteção contra a cárie de radiação. Isso previne que uma cárie silenciosa vire uma infecção grave no meio da quimioterapia, ou que uma extração depois da radioterapia traga risco de osteorradionecrose.
Diante de 781 mil novos casos por ano, a mensagem da Travessia é simples: preparar a boca antes do tratamento não é um luxo, é prevenção. Reunimos o passo a passo em como preparar a boca antes de começar o tratamento do câncer, e é exatamente isso que fazemos na Preparação Pré-Tratamento (PPT) e no acompanhamento do programa Mãos Dadas.
Por trás de cada número dessa estatística há uma boca que pode atravessar o tratamento com menos dor e menos sustos — se receber cuidado a tempo. Que cada uma dessas travessias seja a mais leve possível.
Perguntas frequentes
Todo mundo que tem câncer vai ter problema na boca? Não. Depende do tipo de tratamento. A quimioterapia pode afetar a boca em qualquer câncer; a radioterapia afeta quando atinge a região da boca, cabeça ou pescoço. Mas como esses tratamentos são muito comuns, o cuidado preventivo com a boca é indicado para a maioria de quem vai iniciar um tratamento.
De onde vem o número de 781 mil casos? Da publicação “Estimativa 2026-2028: Incidência de Câncer no Brasil”, do INCA, divulgada em fevereiro de 2026. É a referência oficial de incidência de câncer no país.
Revisado pela Dra. Jossânia, cirurgiã-dentista (CRO-PR), com atuação em odontologia oncológica.
Fontes: INCA — Estimativa 2026-2028: Incidência de Câncer no Brasil (divulgada em 4 de fevereiro de 2026); National Cancer Institute — PDQ Oral Complications of Chemotherapy and Head/Neck Radiation (Health Professional Version).